domingo, 7 de outubro de 2012

Querido, leia esse primeiro.



            Sinto cheiro de remédio, misturada com cheiro de café. Talvez a noite de ontem não tenha sido tão boa.
            É quase certeza que não tenha sido uma boa noite, pois, o amor que pairava neste quarto, esfriou...da mesma forma que o café que me acompanhava também esfriou. Tão triste e tão aceitável.
            Existia um calor, um assunto agradável, uma ligação entre nós. Todos eles sumiram de uma hora pra outra e por essa razão que eu estou aqui com essa pouca claridade, companhia e paciência escrevendo esse texto qualquer.
            Tomar remédios, café e escrever textos aleatórios são as coisas que me restaram depois que a rotina na qual eu estava acostumada, foi mudada completamente. E diferente de muitos contos por aí, essa minha mudança de rotina foi a pior coisa que poderia ter me acontecido. Mas tudo bem, isso não importa.
            Na mais pura verdade, a maioria das coisas que eu escrevi até então não tem importância á ninguém. Todas essas palavras que eu joguei em um papel, tem apenas um foco, mas esse foco não faz nem ideia de tudo isso, talvez você, foco, já tenha cogitado a possibilidade de ser assunto principal dos meus textos, mas alguns segundos depois você balançou a cabeça e pensou: “Tudo bem, passou...não volta mais”. É, deixa estar.
            Sinceramente, certo você não se preocupar com um passado bastante remoto. Você tem a proeza, o dom de levantar a cabeça e seguir adiante. Até porque isso é fácil pra quem soltou a mão da pessoa mais frágil da história. Mas novamente, deixa estar.
            Eu sei, que uma vez que percebi que fui substituída por uma guria menos complicada do que eu, deveria parar com todo esse drama que ando fazendo á base de remédios fracos e café forte. Pois, eu sei também que enquanto faço isso, você está visivelmente alegre e mostrando á quatro ventos o quanto a ama e que ela te faz sentir como fogo. Nossa, que tesão! Aproveite, porque no fim você até merece.
            Bom, a dor está aumentando.
            Eu não sei explicar, se durante todos esse meses que se passaram desde da última e inesquecível vez que eu te você foi realmente merecedor de cada palavra que eu escrevi em diversos tipos de papéis. Mas, sei que cada palavra representou: uma história mal resolvida, uma segunda chance não cogitada (ou mal cogitada), atitudes precoces que no fim não significavam nada, uma cumplicidade vulnerável, uma paixão artificial...tão artificial quanto a relação ao todo que tivemos. Sem dúvida alguma todas as palavras escritas significaram tudo isso. A saudade do teu sorriso sério e pequeno e do seu beijo que era maior que nossos problemas estão aumentando, tanto quanto essa dor no peito...Meu amor! Minha eterna má-influência!...
            Mais tarde, sinta-se no direito de vim aqui e mexer nas minhas coisas. Leia os textos que fiz pra ti, todos são tão lindos...eu os lia todos os dias e sentia até orgulho. Em todos estão algo que em dois conturbados meses nunca foi dito pessoalmente por ambas as partes: eu te amo!
            Nunca foi e nunca será dito. Pois, a menina que um dia você adorou chamar de minha pequena, está finalmente sofrendo a consequência principal por ter exagerado “sem querer” nas doses de remédios.

            “E é com um cheiro forte de remédio, café e uma luz tênue que se finca um final de um conto que só não foi de amor, porque o orgulho não permitiu”

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